terça-feira, 18 de março de 2008

O Império a seus pés e a seu corpo

E lá vinham os portugueses aportar em uma terra que nem noção do “nacional” tinha ainda, onde os habitantes nem sabiam como se denominarem: se brasilienses, se brasileiros. Com suas vestimentas exuberantes e suas perucas disfarçantes de cabeças carecas, a Corte Portuguesa há duzentos anos chegou ao Brasil.
A visita de médico na Bahia durou apenas um mês e em fevereiro de 1808 partiram para o Rio de Janeiro. O choque cultural foi inevitável: as tais perucas e os tecidos importados advindos dos “moldes” franceses, confrontados com as chinelas de dedo e a pouca roupa demandadas pelo clima tropical.
As portuguesas que se inspiraram nas francesas foram copiadas pelo povo ainda sem nome. Os turbantes, antes utilizados para cobrir as cabeças infestadas por piolhos, foram copiados pelas nativas, embora fizesse tanto calor. É a chamada “Moda Império”.
Para as mulheres, tecidos claros, decotes quadrados ou em formato de coração e corte abaixo do busto alongando a silhueta. Além disso, ouvia-se no Ipiranga e às margens plácidas européias o grito de liberdade dos espartilhos. As saias enormes saíram da moda, entrando em seu lugar aquelas com um leve franzido. Para homens, algo viril e elegante como as roupas inspiradas na vestimenta militar.
O conforto existia sem, no entanto, perder-se a elegância e a sofisticação. Em ocasiões especiais, as damas da Corte passeavam os seus vestidos bordados, de seda, com rendas. Analisando os veículos dedicados à moda dos dias de hoje, percebemos, trocando as letras com a obra do filósofo Gilles Lipovetsky, que o Império não é nada efêmero. No último Oscar, estavam lá os corações — no decote — à mostra e a marcação abaixo do busto também. Segundo a personal stylist Helen Pomposelli, em reportagem ao Jornal Hoje, da TV Globo, essa marcação exige postura, deixando a mulher elegante. O chamado “corte império” foi incrementado com os cintos largos.
Há cerca de dois anos, o filme Maria Antonieta, de Sofia Coppola polemizou com uma rainha fútil, mas que no fim das contas inspirou as chamadas princesas modernas. Até mesmo a grife de jóias H-Stern se inspirou na rainhazinha para compor a coleção do próximo inverno. O ar romântico — mais adulto agora — esteve presente nos desfiles internacionais da última temporada. O barroco complementa o estilo, que conta ainda com cores em tons pastéis e mangas fofas. Sem contar com as sapatilhas, cujos modelos são infinitos. É uma bela opção e os pés agradecem. O Império impera nas passarelas e avenidas, com muito conforto. E as mulheres modernas, que de rainhas do lar assumiram o posto de rainha de todo lugar, são princesas que não esperam sentadas pelos seus príncipes e por isso mesmo precisam de comodidade.
Foto 1 Anos 50: o twin-set tornou-se um clássico Foto 2 Estilo hippie nas vitrines dos anos 70 Foto 3 Romantismo inspirando a moda no século 17 Foto 4 Rendas e bordados copiados da moda européia Foto 5 Na época da colônia, o dourado significava status Foto 6 No século 15, veludo mesmo sob o calor. Fonte: Correio Web

Kirsten Dunst como Maria Antonieta e a original ao lado

Verão imperial da Tessuti 2005/2006

Victoria Beckham em vestido de tule da Dolce & Gabbana para a Vogue UK abril 2008. Fonte: Trendencias

7 comentários:

Ikki disse...

olha, eu só fico pensando que ser mulher não deve ser fácil... como mulher sofre... naquela época, com esse calor e usando tanta roupa... que sofrimento.

mas também tem uma sorte danada, vocês mulheres tem uma liberdade incrível para brincar com a imagem, hj podem fazer o tipo cult, amanhã outro e por aí vai... nós homens não temos sorte com isso... é aquela coisa, jeans, camiseta e tênis e suas poucas variações...

viagei mto??

Megafashionist disse...

Algumas pessoas acham que nasceram na época errada, eu nasci na certa, na verdade eu só queria ser um pouquinho mais novo tipo uns 5 anos, e um pouquinho mais alto... heheheh

Imagina só tomar banho de tina e usar uma roupa que esquenta pra caramba haihaiahiah, deve ser meio zuado... aiahiaaah

Abração!

Mans disse...

kd o all star da maria antonieta?
adoro !

francielledamaia@yahoo.com.br disse...

Adooorei a matéria!
E me encantei com o filme da Maria Antonieta,todo o figurino,me apaixonei que digo hoje que é um dos meus filmes favoritos.. fizeram um filme de época meio pop com uma certa referência para o atual incrível!
Aproveitaando, que bom que gostou da pesquisa que fiz para os ite da Júlia salgueiro, sobre as pin-ups =) depois visite meu blog
www.francielledamaia.wordpress.com

beijao.

Nanyzinha disse...

Oi, como foi o curso terça???
Já tinha dado uma olhada no teu blog e agora eu linkei ele no meu novo blog, que agora também é blogspot.
Passa lá depois, to meia sem tempo pra escrever e to vendo se mudo o template, mas acho que vai gostar.

Ah..eu esqueci seu nome...

Meu blog clicksdamoda.blogspot.com

Bjs

Pedro Beck disse...

Siiiiim, a idéia sempre foi apenas migrar de blog! =)

E a foto da Tessuti parece a Kate Hudson!

Beijão, gata!

Fê Resende disse...

olha, que post mais rico! amei, as referências são tudo!!! =)