sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O charme discreto da burguesia

“Somo suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos”. O clássico dos Engenheiros do Havaí - alguém ainda admite que gosta de Engenheiros? - bem que poderia encaixar-se facilmente em outro clássico, o cinematográfico Estranha Compulsão (Compulsion). O filme de 1959, dirigido por Robert Fleischer é baseado no assassinato que chocou Chicago nos anos 20, cometido pelo casal de homossexuais Leopold e Loeb. Clássico esse, que já havia servido de inspiração para Hitchcock, onze anos antes, em Festim Diabólico (Rope).

Artie (Bradford Dillman), articulado e fanfarrão, e Judd (Dean Stockwell), sensível e misterioso assassinam brutalmente um jovem e acreditam não ter deixado pistas. No entanto, os óculos desse último, deixados acidentalmente no local do crime, levantam as suspeitas até que eles sejam desmascarados. Antes disso, enganam os investigadores e jornalistas, tendo Artie colaborado com as investigações com elucubrações que logicamente os inocentavam e culpabilizavam inocentes – demonstração da covardia e manipulação do rapaz. Ambos são jovens ricos e inteligentes. O primeiro, com uma família mais estruturada e cheio de mimos. Já o segundo, órfão de mãe e incompreendido pelo pai. A relação entre eles é de companheirismo e dependência. O homossexualismo fica entrelinhas e é disfarçado, mas é possível "ler", especialmente na cena em que o promotor constata que eles só tem um ao outro, não possuem amigos próximos. Judd se interessa por Ruth Evans (Diane Varsi), namorada do jornalista envolvido no caso Sidd Brooks (Martin Milner) e num discurso frio e confuso em defesa do assassinato, acaba se entregando e tentando atacá-la.
A única saída para impedir que os jovens sejam enforcados é a contratação de Jonathan Wilk (Orson Welles), advogado debochado e assaz competente. O advogado entre em um verdadeiro embate com promotor Harold Horn, defensor feroz do enforcamento. Jonathan Wilk defende a análise psicanalítica e a constatação da esquizofrenia e pertubação dos assassinos. A falação em que Jonathan discursa contra a pena de morte é a mais longa nesses moldes do cinema e é tão convincente que se você tiver convicções de defesa da pena de morte, corre sérios riscos de ser convencido do contrário.

O figurino, algo que muito nos interessa, é muito bom. Os mauricinhos aparecem sempre impecáveis e engomadinhos. Wilk usa suspensórios e coletes. Ruth Evans, tem um visual romântico e feminino. Chama atenção a cena de dança no salão onde os vestidinhos drapeados e todo o seu movimento, ajudam o bailado. Infelizmente consegui poucas imagens coletando na Internet, mas para quiser ver os assassinatos e Orson Welles, claro, em ação, o filme passará no canal Telecine Cult às 15:45 do dia 24/09 e às 09:40 do dia 26/09.

Prêmios: os atores Orson Welles, Bradford Dillman e Dean Stockwell ganharam um prêmio triplo pela atuação.O filme foi indicado à Palma de Ouro também.


Filmes que completam a trilogia de crimes reais de Robert Fleischer junto de Compulsion: O Homem que Odiava as Mulheres e O Estrangulador de Rillington Place.
Cartaz do filme


Judd e Artie

Artie, sua mãe e Sidd

Judd "encenando"

Promotor Harold x Jonathan Wilk

Só Wilk salva da pena de morte
Bons filmes e bom final semana a todos!

4 comentários:

Claudia Pimenta disse...

oi priscila! moda e cinema... uma daquelas duplas imbatíveis! bjs e bom finde tb!

bel sant anna disse...

ótima dica...e eu sempre qui ver esse filme.primeiro por ser um clássico e eu gosto de ver filmes ligados a advogacia que era o que eu iria fazer até pouco tempo!
seu blog tá lá no meu!
bjos!

Carlos disse...

oi pri, valeu pela dica... vi uma crítica a respeito desse filme em um documentário sobre o cinema gay e fiquei super interessado... agora poderei vê-lo no tc cult!

=* e adorei o blog

Thysa Jackes disse...

Eu admito: gosto de Engenheiros do Hawai!
=)